Hoje é Dia da Escola: o que comemorar e onde avançar

15/03/2018

Por Ana Carolina Terra, consultora da FALCONI.

Todos conhecemos pessoas que se recordam com carinho e saudosismo dos bons tempos de escola, dos vários amigos que passaram pela vida e dos “tios” e “tias” que se dedicaram durante vários anos a ensinar.

Há um mês, ouvíamos nos noticiários que um ex-aluno de 19 anos, Nikolas Cruz, executou um massacre com 17 mortos em uma escola na Flórida (poderia ter sido qualquer lugar do Brasil). Essa não foi a primeira vez que ouvi esse tipo de notícia e me pergunto o que leva crianças e jovens a não enxergarem nas suas escolas o melhor local para estar.

Hoje, neste 15 de março, Dia da Escola, questiono se as crianças e jovens terão a chance de no futuro,  olhar para trás e ter boas lembranças desse período de suas vidas. Essa questão nos leva a avaliar avanços e desafios da educação e o papel da escola nesse contexto.

A universalização do ensino fundamental no Brasil já não é um problema a ser enfrentado. Hoje, 98,5% das crianças de 6 a 14 anos estão matriculadas na escola. O Brasil avançou no atendimento escolar na faixa etária adequada à pré-escola (4 e 5 anos) que já é de 90,2%. Mas a qualidade do que se ensina nas salas de aula ainda está muito aquém do ideal. No último resultado da Avaliação Nacional da Alfabetização 34% dos alunos do 3º ano do ensino fundamental apresentaram resultados insuficientes em escrita e 55% em leitura e em matemática. São crianças pedindo socorro para não fazer parte de estatísticas futuras de analfabetismo funcional, abandono no ensino médio e exclusão do ensino superior. Ainda dá tempo de salvá-las.

Esse resultado de alfabetização, certamente desencadeia as elevadas taxas de reprovação e distorção idade-série – 3,3% no 1º ano aumentando para 19,6% no 5º ano – e impacta o desempenho e motivação dos alunos até o Ensino Médio. Os números são alarmantes: de cada 100 jovens em idade para cursar o Ensino Médio, apenas 87 estão matriculados na escola e destes 15 estão defasados. Além disso, os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Ensino Médio nas últimas três edições continuou em 3,7, demostrando o quanto o país está estagnado.

Neste cenário, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em dezembro/17, já é um grande avanço para garantir a todos os alunos, seja ele de escola pública ou privada, da região sul ou do norte, o direito de terem o mesmo ensino. Cabe às escolas, apoiadas pelas Secretarias de Educação, torna-la realidade.

Da mesma forma, o Novo Ensino Médio traz o desafio para que as escolas sejam mais atraentes e próximas dos jovens, dando a eles opção de escolha do seu itinerário formativo e melhor preparação para o futuro.

Ainda que a passos lentos intercalados por solavancos ora de melhoria, ora de retrocesso, o país anda para frente. Ainda falta muito para que nesta data só existam motivos para comemorar.