A assinatura do Acordo de Parceria e do Acordo Interino de Comércio entre Mercosul e União Europeia cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22 trilhões. Embora ainda dependa de etapas de aprovação, o acordo já impõe à indústria brasileira a necessidade de preparação para um ambiente mais competitivo, com redução gradual de tarifas ao longo de até 12 anos e maior abertura comercial em ambos os blocos, como analisa André Chaves, vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Indústria de Base e Bens de Capital.
Se, por um lado, a queda de tarifas pode baratear máquinas, insumos e componentes, impulsionando modernização e produtividade, por outro amplia a entrada de bens finais europeus no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, o acesso ampliado ao mercado europeu, inclusive em compras públicas, abre oportunidades para manufaturados e semimanufaturados, desde que as empresas estejam preparadas para atender padrões técnicos, regulatórios e de sustentabilidade cada vez mais rigorosos.
Os principais pontos de atenção para a indústria são:
-
Impacto tarifário gradual: necessidade de mapear prazos e simular efeitos sobre preços e margens.
-
Aumento da concorrência: maior presença de produtos europeus no mercado local.
-
Oportunidades de exportação: eliminação de tarifas sobre cerca de 95% dos bens no acesso ao mercado europeu.
-
Compras públicas: abertura inédita que amplia oportunidades, mas eleva exigências de conformidade.
-
Sustentabilidade e regulação: adaptação ao CBAM e às regras de rastreabilidade, como o regulamento antidesmatamento.
-
Governança e execução: padronização, segurança regulatória e disciplina operacional tornam-se diferenciais competitivos.
