jan . 2026 .

As lições da tecnologia em 2025 e os imperativos estratégicos para 2026

Em um cenário mais maduro, vencerá quem transformar inovação em decisão racional

Breno Barros*

As lições da tecnologia em 2025 e os imperativos estratégicos para 2026



O ano de 2025 representou um ponto de inflexão relevante para o setor de tecnologia. Foi quando narrativas grandiosas de inovação colidiram com os limites da execução e da viabilidade econômica, evidenciando que, mesmo em ciclos de aceleração tecnológica, entusiasmo não substitui estratégia. 

A inteligência artificial generativa (GenAI) atingiu um patamar inédito de visibilidade e protagonismo. O movimento impulsionou investimentos trilionários em infraestrutura, intensificou a disputa entre hyperscalers e alimentou discursos sobre transformações profundas e irreversíveis. Ao mesmo tempo, líderes mais atentos perceberam que o avanço da IA caminhava lado a lado com o retorno inevitável da disciplina econômica como fator decisivo. 

Esse alerta foi sintetizado recentemente pelo CEO da IBM, Arvind Krishna, ao afirmar que empresas como Google e Amazon podem levar muitos anos para capturar retorno financeiro sobre os elevados investimentos em data centers. A questão não está em questionar a relevância da tecnologia, mas em reconhecer um princípio incontornável: nenhuma inovação escapa às regras da matemática financeira. 

Esse movimento remete a padrões já observados em ciclos anteriores. Em 2025, a corrida pela IA reproduziu fenômenos conhecidos do mercado: avaliações infladas, expectativas descoladas da realidade e a crença de que aportes acelerados gerariam retornos igualmente rápidos. A prática mostrou um cenário mais complexo. Um relatório do HSBC Global Investment Research sobre a OpenAI indicou que a empresa pode não alcançar lucratividade antes de 2030 e ainda necessitaria captar mais de US$ 200 bilhões para sustentar sua trajetória. Mesmo organizações altamente inovadoras estão sujeitas à mesma equação que rege qualquer negócio: receita, custos, risco e tempo. 

Sob essa perspectiva, 2025 pode ser entendido como o ano em que o setor tecnológico atingiu o ápice da euforia e reencontrou o terreno da racionalidade estratégica. As empresas mais resilientes não foram aquelas que expandiram sem limites, mas as que mantiveram pragmatismo, ajustaram seus portfólios e concentraram esforços em iniciativas com retorno comprovável. 

A eficiência operacional voltou ao centro das agendas executivas, potencializada pela IA, mas orientada por métricas objetivas de produtividade, redução de custos e expansão de margens. O discurso da inovação dissociada da sustentabilidade econômica perdeu espaço. Ganhou relevância a inovação que gera resultado e fecha a conta. 

Nesse contexto de reorganização, 2026 se desenha como o ano em que a estratégia reassumirá papel central. A próxima onda de crescimento não será definida por quem fizer mais anúncios ou promessas, mas por quem tomar decisões mais racionais e consistentes. 

Infraestruturas tecnológicas, antes tratadas como ativos quase ilimitados, passam a ser avaliadas sob a ótica da eficiência: arquiteturas mais especializadas, modelos híbridos, uso inteligente da capacidade computacional e redução de desperdícios, inclusive energéticos. Em paralelo, a governança da IA, que envolve regulação, auditoria, diretrizes éticas e gestão de riscos, tende a se consolidar como diferencial competitivo, separando empresas maduras daquelas ainda guiadas pelo impulso. 

Para os líderes empresariais, os aprendizados de 2025 oferecem direções claras para 2026. O primeiro movimento é recalibrar a tese estratégica de cada unidade de negócio com base em dados e lógica econômica, não em expectativas subjetivas. Iniciativas incapazes de demonstrar retorno financeiro positivo devem ser revistas ou despriorizadas. A gestão passará a privilegiar negócios geradores de caixa e margens, reduzindo a dependência de modelos sustentados por liquidez abundante. 

Além disso, organizações bem-sucedidas tenderão a operar com estruturas mais enxutas e focadas. A proliferação de iniciativas simultâneas, típica de períodos de capital farto, dará lugar a escolhas mais estruturantes e a renúncias conscientes. 

Outro fator crítico será o desenvolvimento de uma cultura em que a IA fortaleça efetivamente a competitividade e não apenas o discurso. As empresas vencedoras serão aquelas capazes de traduzir IA em ganhos mensuráveis de produtividade, seja na operação, na cadeia de suprimentos, no relacionamento com clientes ou no desenvolvimento de produtos. 

No ambiente competitivo, 2026 tende a ser marcado por um ciclo intenso de consolidação. Organizações com liquidez e estratégia clara adquirirão ativos fragilizados, integrarão soluções e fortalecerão seus portfólios. O mercado operará sob uma lógica de seleção natural: sobreviverá quem souber calcular melhor seus riscos. 

Se 2025 revelou os limites das apostas irracionais, 2026 exigirá a retomada da disciplina estratégica como base da criação de valor. A mensagem é clara: estratégias sustentadas pela euforia não encontram espaço em um mercado mais maduro, seletivo e exigente. À medida que a tecnologia avança, a vantagem competitiva migrará para as organizações capazes de transformar complexidade em clareza, incerteza em cálculo e ambição em execução disciplinada. 

Em última instância, a próxima década será das empresas que compreenderem que toda grande visão precisa estar apoiada em uma equação sólida. Afinal, somente estratégias que fecham a conta são capazes de sustentar crescimento real e duradouro. 

*Por Breno Barros, CTO e vice-presidente de Soluções Digitais da Falconi

Também pode lhe interessar

Mais Vistos