fev . 2026 .

Eficiência não é corte, é produtividade com governança

Selic em 15% reforça cenário de crédito caro e exige das empresas disciplina de execução, gestão inteligente de gastos e foco em produtividade para atravessar o ciclo restritivo e sair na frente na retomada.

Marina Borges*

Eficiência não é corte, é produtividade com governança



A decisão do Copom de manter a taxa Selic em 15% ao ano na reunião de janeiro reforça que o custo do capital seguirá elevado por mais algum tempo. Embora o próprio comunicado do Banco Central tenha aberto espaço para o início de um ciclo de cortes já em março, o recado ao mercado é claro: a incerteza ainda é alta e a política monetária continuará restritiva até que o processo de desinflação esteja mais consolidado. Nesse ambiente, a discussão central para empresas de todos os setores não é quando os juros vão cair, mas como atravessar este período com solidez e preparar o terreno para crescer quando o ciclo virar. 

Com crédito caro e maior seletividade por parte das instituições financeiras, eficiência deixou de ser apenas uma agenda de redução de custos e passou a ser uma verdadeira arma competitiva. Organizações que conseguem executar bem sua estratégia, proteger caixa e elevar produtividade agora tendem a capturar a retomada com muito mais velocidade quando o cenário macroeconômico se tornar mais favorável. O diferencial, portanto, está menos em reações pontuais e mais na disciplina de execução. 

É comum, em momentos como este, associar eficiência a cortes lineares e decisões de curto prazo. Esse é um erro recorrente. Eficiência sustentável exige governança, clareza de prioridades e capacidade de transformar metas estratégicas em rotinas operacionais bem definidas. Empresas que avançam nessa agenda revisam seu portfólio de iniciativas, direcionam investimentos para aquilo que gera mais valor e criam mecanismos de acompanhamento que garantem a execução ao longo do tempo, mesmo em cenários adversos. 

Outro ponto-chave é a gestão de gastos com inteligência. Em vez de simplesmente reduzir despesas, líderes mais preparados analisam onde o capital está sendo alocado, quais processos consomem recursos sem retorno proporcional e onde ganhos de produtividade podem liberar caixa. Esse tipo de abordagem fortalece a saúde financeira no presente e amplia a capacidade de investimento no futuro, especialmente quando o custo do dinheiro ainda é um limitador relevante. 

A leitura predominante do mercado é que, quando os juros começarem a cair, a retomada não será homogênea. Empresas mais organizadas, com metas bem desdobradas, processos claros e forte disciplina de gestão, sairão na frente. As demais, que postergarem ajustes estruturais à espera de um cenário mais benigno, correm o risco de perder competitividade justamente quando as oportunidades reaparecerem. 

Selic alta impõe desafios, mas também separa quem apenas resiste de quem se prepara para crescer. Eficiência, neste contexto, não é sinônimo de retração. É estratégia, produtividade e governança trabalhando juntas para transformar um período de restrição em vantagem competitiva de longo prazo. 

*Marina Borges é vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Serviços

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