A eficiência financeira é uma disciplina que vem se intensificando ao longo do tempo, sobretudo em mercados com crescimento moderado, maior seletividade do crédito e pressão contínua sobre margens. Segundo projeção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), o crescimento global do PIB deve desacelerar em 2026, ganhando força ligeiramente apenas em 2027.
Além disso, a disciplina na gestão do orçamento, dos investimentos e dos aportes operacionais tornou-se um fator direto de competitividade, especialmente em organizações com estruturas complexas, múltiplas unidades de negócio e alto volume de despesas recorrentes.
Para garantir mais eficiência, entretanto, a liderança precisa ter ampla visibilidade dos gastos a fim de evitar desperdícios e alocar recursos nas iniciativas que mais geram valor ao negócio. Porém, um cenário que ainda vemos com frequência é a falta de gestão integrada entre CAPEX (Capital Expenditure) e OPEX (Operational Expenditure), ou seja, entre investimentos em ativos e despesas operacionais.
Outro ponto crítico está na forma como o crescimento é planejado. Muitas organizações definem estratégias de expansão e iniciam ações que elevam rapidamente o nível de despesas, partindo do pressuposto de que a receita futura sustentará esses investimentos. Quando a geração de receita não ocorre no ritmo esperado, o resultado é a compressão significativa das margens, aumento da pressão sobre o caixa e perda de flexibilidade financeira. Nesse contexto, a disciplina orçamentária exige que a receita — realista e comprovada — esteja à frente dos gastos, e não o contrário.
Essa falta de visão consolidada compromete a qualidade das decisões, a priorização das iniciativas certas e a alocação dos investimentos mais relevantes. Como resultado, as empresas tendem a operar de forma reativa, ajustando o orçamento apenas diante de desvios pontuais ou pressões externas.
O orçamento das empresas precisa ser tratado como um processo vivo, com revisões periódicas, e permanentemente conectado às prioridades do negócio. A disciplina financeira passa menos por cortes lineares e mais por escolhas conscientes, baseadas em dados, análises consistentes e critérios claros de priorização, sempre considerando a capacidade real de geração de receita.
Um caminho viável para essa transformação é a gestão inteligente de gastos. A abordagem combina análise de dados, experiência setorial e práticas de gestão para identificar ineficiências, capturar oportunidades de ganhos de curto prazo e liberar recursos para reinvestimentos em iniciativas estratégicas. O impacto, ao longo do tempo, é a redução de desperdícios, o fortalecimento da governança financeira e a consolidação de uma cultura orientada a resultados.
No setor de Serviços, por exemplo, a gestão inteligente de gastos atua diretamente na racionalização de despesas administrativas, de tecnologia e de contratos recorrentes, áreas que costumam concentrar oportunidades relevantes de eficiência. Com maior transparência, alinhamento entre receita e custos e disciplina financeira, empresas do segmento conseguem ampliar margens, sustentar investimentos em inovação e alinhar despesas a uma estratégia de crescimento verdadeiramente sustentável.
Olhando adiante, a competitividade financeira estará cada vez mais associada à capacidade de transformar orçamento e investimentos em decisões estratégicas contínuas, e não em exercícios pontuais de controle. A disciplina orçamentária, com isso, consolida-se como um dos principais motores de geração de valor para as companhias, apoiando a sustentabilidade dos resultados e a evolução do negócio no longo prazo.
*Por Marina Borges, vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Serviços