Quando lideranças públicas analisam o desempenho da educação em suas cidades, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é um indicador crucial, pois revela, inequivocamente, se houve avanços ou não no ensino em determinado período. Entretanto, o avanço no índice, por si só, não garante que tudo esteja bem encaminhado em termos de desempenho escolar e aprendizado dos alunos. É necessário cruzar os resultados do Ideb com outros indicadores que mostrem progresso na trilha traçada pelo município rumo à excelência educacional em curto, médio e longo prazos.
Costumo usar uma analogia com corridas de automóveis em encontros com gestores públicos: você pode ter um carro refinado, com motor potente e aerodinâmica impecável. Sua equipe pode vencer corridas, mas, sem compromisso com a evolução contínua do veículo, será ultrapassada em algum momento.
Muitas cidades cometem esse erro com o Ideb: resolvem gargalos educacionais e, em um ano, alcançam bons resultados. No entanto, o índice reflete a média de desempenho de toda a rede pública. Se os esforços não forem direcionados de forma contínua às escolas com desempenho abaixo da média, o desenvolvimento educacional será comprometido, puxando para baixo a qualidade do ensino e a posição no ranking.
Apesar da analogia, é importante lembrar que educação não é uma corrida. É o principal caminho para uma sociedade mais justa e equilibrada. Países com altos níveis educacionais apresentam melhores índices de inovação, produtividade, competitividade e crescimento econômico.
Uma educação pública forte forma a força de trabalho qualificada que movimenta todos os setores da economia. Além disso, contribui para a redução da violência e para melhores condições de saúde. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, um país que melhora a qualidade de suas escolas pode aumentar o PIB em até 2,2 pontos percentuais ao ano.
Como manter a educação em constante avanço, de forma sustentável?