Em um cenário de pressão de preços, volatilidade cambial e expansão de capacidade no setor de celulose e papel, liderar em ciclo de baixa exige mais do que cortes lineares de custo. O desafio central passa a ser proteger o resultado imediato sem comprometer a capacidade de competir no médio e longo prazos. Em vez de congelar investimentos indiscriminadamente, adiar manutenção ou reduzir treinamentos, a liderança precisa diferenciar corte de eficiência, preservando as bases que sustentam a performance futura, como analisa Caio Davanzo, sócio e diretor de Papel e Celulose da Falconi.
Segundo o autor, empresas resilientes não são as que cortam mais, mas as que cortam melhor, com método e disciplina. Em momentos de pressão, urgência sem gestão amplia erros e degrada processos. A diferença entre sair do ciclo mais forte ou apenas mais barato está nas escolhas feitas durante a turbulência.
As três bases que devem ser protegidas em ciclos de baixa são:
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Rotina e previsibilidade: reforçar ritos de gestão, indicadores críticos e responsabilidade clara para reduzir variabilidade.
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Confiabilidade de ativos: manter preventivas essenciais e disciplina de manutenção para evitar paradas não planejadas e perda de produtividade.
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Time e cultura: preservar transparência, foco em causa raiz e cooperação, evitando atalhos que corroem a organização no longo prazo.
A análise completa faz parte de artigo publicado na Revista O Papel, no qual Davanzo reforça que atravessar ciclos difíceis com método e disciplina é o que permite preservar margem hoje sem destruir o futuro da operação.
