A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã reacendeu preocupações globais com energia e inflação, ao elevar o preço do petróleo para patamares acima de US$ 100 por barril. A tensão em torno do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, impulsionou o Brent a quase US$ 120 em março de 2026. A alta se transmite rapidamente à economia, pressionando diesel, fretes, insumos industriais e custos logísticos.
O impacto se estende às decisões de política monetária e à atividade econômica. Nos Estados Unidos e na China, o aumento da energia pode dificultar a desaceleração da inflação, enquanto no Brasil o cenário tende a pressionar combustíveis, fretes e insumos importados, em um contexto de Selic elevada e câmbio mais volátil.
Principais efeitos esperados por setor:
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Siderurgia: aumento de custos com energia e frete, com câmbio favorecendo exportações.
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Mineração: pressão de custos logísticos e incerteza sobre demanda chinesa.
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Óleo e gás: produtores se beneficiam da alta do barril, mas refino e distribuição enfrentam maior volatilidade.
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Papel e celulose: exportadores ganham com o câmbio, porém lidam com insumos e transporte mais caros.
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Química básica: alta da nafta e derivados comprime margens industriais.
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Construção civil: materiais mais caros e juros elevados podem reduzir ritmo de novos projetos.
No cenário atual, mais relevante que o pico de preços é a duração do choque energético. Caso o conflito e os gargalos logísticos persistam, os custos elevados tendem a se tornar estruturais, pressionando margens e preços ao longo de toda a cadeia produtiva, tema analisado pelo vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Indústria de Base e Bens de Capital, André Chaves, em artigo publicado na coluna Indústria Inteligente, do Diário do Comércio.
