set . 2026 .

Ano pós-eleitoral deve testar a maturidade de gestão e performance das empresas brasileiras

Em 2027, o crescimento dos negócios dependerá ainda mais de consistência estratégica, domínio tecnológico e times preparados para um ambiente de mudanças constantes

Ano pós-eleitoral deve testar a maturidade de gestão e performance das empresas brasileiras


O fim do calendário eleitoral reduz parte da incerteza institucional, mas não resolve os desafios estruturais que travam o crescimento das empresas. Comércio global mais lento, commodities voláteis e barreiras tarifárias continuam no radar. Um ano sem eleições, porém, tende a abrir espaço para decisões de investimento hoje represadas, avalia o CEO da Falconi, Alexandre Ribas. 

Os números do Boletim Focus, do Banco Central, divulgado no final de agosto, ajudam a calibrar as expectativas. O mercado projeta o PIB crescendo 1,5% em 2027, ritmo mais moderado que os 1,92% esperados para 2026. Já a Selic, hoje em 14%, pode ceder para 12% ao longo do próximo ano, caso a inflação continue perdendo força. 

Nesse intervalo entre “eleição encerrada” e a maturação dos efeitos econômicos, a governança seguirá como diferencial competitivo, segundo Ribas. “Nossa experiência com grandes empresas mostra que, quando a organização tem uma gestão madura, ela resiste melhor às crises e não depende de um cenário externo favorável para performar. Ela absorve a instabilidade política e econômica com menos ruído e recupera-se mais rápido quando o ambiente melhora”, afirma o CEO. 

O ano pós-eleitoral também deve acelerar decisões de digitalização postergadas por cautela. Mas, para Ribas, adotar tecnologia sem uma base de gestão sólida, ou sem equipes capacitadas, amplia exposição a riscos. Segundo a Gartner, o investimento global em plataformas e modelos de IA deve somar US$ 64 bilhões em 2026, alta de mais de 60% ante o ano anterior. Ainda assim, somente um em cada cinco projetos de IA entrega retornos sobre o investimento. Quando o critério passa a ser uma transformação significativa do negócio, a proporção cai para um em 50. Esse é um sinal de que gestão e pessoas, não a ferramenta em si, seguem sendo o gargalo. 

Mas essa tecnologia só entrega resultado, pondera Ribas, quando apoiada em dados confiáveis, equipes capacitadas e metas claras, desdobradas até a ponta da operação, levando em conta um cenário em que o Fórum Econômico Mundial projeta IA impactando 86% das empresas globais até 2030. “A liderança de 2027 terá duas tarefas simultâneas: manter o rumo estratégico definido antes das eleições e preparar os times para um ambiente de negócios que muda de velocidade rapidamente”, diz o executivo. 

Ao aliar governança sólida, tecnologia bem aplicada e gestão profissionalizada, será possível transformar a incerteza pós-eleitoral em vantagem competitiva. “Essa decisão, se tomada corretamente, certamente mudará ponteiros até o fim da década”, conclui o CEO da Falconi. 

Texto publicado na edição 2026 da revista Melhores e Maiores da Exame, disponível na versão impressa nas bancas e para assinantes.


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