set . 2026 .

Como o CIO estratégico sai da operação e entra nas decisões de negócio

Decifrando as pressões silenciosas dos CEOs e transformando operações de TI em um catalisador estratégico

Breno Barros*

Como o CIO estratégico sai da operação e entra nas decisões de negócio


O CEO da organização em que você atua tem uma agenda de IA e não a está contando por completo. Não porque ele não queira, mas porque essa agenda ainda está sendo processada diante das pressões do board, do medo de ficar atrás da concorrência e da incerteza sobre onde exatamente a IA vai gerar valor. E é justamente esse silêncio que vai moldar suas prioridades de TI nos próximos meses, com ou sem seu convite para a conversa.  

O levantamento mais recente da Gartner sobre a mente dos CEOs para 2026 mostra que a confiança está contida, mas a determinação está mais alta do que nunca. Três mandatos concentram a atenção no topo:  

  1. Crescer receita administrando um risco geopolítico que não dá sinais de aliviar; 
  2. Tratar IA como motor de valor e não como projeto de vitrine; 
  3. Absorver a virada organizacional que os agentes de IA estão impondo à forma como o trabalho é feito.  

Nenhum desses três cabe inteiramente dentro do escopo tradicional de TI. E é exatamente por isso que todos eles vão “bater na porta” desse setor.  

O CIO estratégico que o board procura 

O board não pergunta ao CIO “qual é sua arquitetura de agentes de IA”. Pergunta se a empresa está perdendo terreno para quem já colocou IA para trabalhar no núcleo do negócio. Pergunta se o time tem gente capaz de operar nesse novo modelo, o que a própria Gartner tem chamado de “mudança de capacidades primeiro”, em que o mais relevante não é a tecnologia isolada, mas como o trabalho passa a ser feito e como o valor passa a ser entregue.  

Essa distinção define a curva que separa CIOs e líderes de TI vistos como provedores de infraestrutura dos que já se tornaram parceiros de decisão. Pesquisas da Gartner mostram que organizações onde CIO e áreas de negócio colideram e respondem juntos pela entrega digital acertam iniciativas com frequência muito superior à média.  

Quando TI só executa o que o negócio decide sozinho, o resultado é aleatório. Mas quando TI e negócio decidem juntos, o resultado passa a ser sistemático. O que separa TI reativa de um CIO estratégico no board é o lugar de onde a decisão nasce.  

O erro mais comum que vejo é tratar essa transição como se fosse sobre ganhar mais um assento na mesa. A questão não é sobre assento, mas sobre que tipo de pergunta o CIO está preparado para responder quando ela chega. 

Se essa questão é “por que o sistema caiu”, a resposta ainda vem de dentro da operação. Se é “como a IA muda nossa posição competitiva nos próximos dois anos”, a resposta só pode vir de quem decodificou a pressão do CEO antes que ela fosse verbalizada e já chegou com a arquitetura de dados, os agentes certos e a inteligência operacional funcionando como resposta, não como promessa.  

Essa é a virada que os CIOs devem buscar deliberadamente nos próximos meses. É antecipar a pergunta que o board ainda não fez. O padrão é o mesmo de sempre, só que agora aplicado à própria função de TI dentro da governança da empresa. Quem decodificar essa agenda primeiro não vai precisar pedir lugar na decisão, pois já estará nela. 

*Breno Barros é CTO e VP de Serviços e Tecnologia da Falconi  


Também pode te interessar

Mais Vistos