Ter acesso a um volume cada vez maior de dados e indicadores não significa, necessariamente, tomar decisões melhores. No varejo farmacêutico, o desafio tem sido transformar informações em ações efetivas, identificando as causas dos problemas e definindo prioridades em um ambiente marcado por pressão competitiva e mudanças constantes.
Vice-presidente da unidade de Varejo da Falconi, Breno Guedes, avalia que as empresas evoluíram rapidamente na capacidade de medir resultados, mas nem sempre avançaram na mesma velocidade quando o assunto é qualidade da tomada de decisão. Segundo ele, a dificuldade está em diferenciar os fatores que realmente influenciam os resultados daqueles que são apenas consequências de um sistema complexo.
O especialista destaca que muitos gestores acabam direcionando esforços para questões urgentes de curto prazo, deixando em segundo plano análises mais aprofundadas e o acompanhamento das iniciativas até sua implementação. Como consequência, projetos começam com grande dedicação, mas raramente têm seus resultados monitorados e validados ao longo do tempo.
Os líderes mais eficientes são aqueles que conseguem priorizar poucos problemas estratégicos, executar planos com disciplina e acompanhar os impactos gerados até a resolução definitiva. Para ele, decidir o que não será feito também é uma parte essencial da gestão.
Em um cenário cada vez mais competitivo, impulsionado pela expansão das farmácias digitais, pela prescrição eletrônica e pela pressão sobre as margens, o executivo acredita que a inteligência artificial pode contribuir para organizar informações e reduzir tarefas operacionais. Ainda assim, ressalta que a responsabilidade por decisões de qualidade continuará sendo exclusivamente dos gestores.
