Avançar em indicadores financeiros, de produtividade, de eficiência e de retorno sobre o investimento (ROI) não é resultado de uma ação isolada. Tampouco é reflexo do uso exclusivo de uma ferramenta sofisticada como as opções hoje no mercado. Esses ganhos passam por traduzir a estratégia da empresa em metas claras e executá-la com consistência. O que exige maturidade em gestão.
A evolução dos processos, muitas vezes, fica no segundo plano porque lideranças estão constantemente resolvendo urgências. Antes de avançar, deixo uma reflexão para uma avaliação imediata sobre o nível de maturidade da sua organização:
Você consegue prever, com razoável precisão, o resultado operacional da sua empresa nos próximos 30 dias?
A resposta ajuda a revelar o que precisa ser avaliado dentro da disciplina operacional, que pode ser verificada também por meio de outros três questionamentos:
- A empresa consegue reproduzir um bom resultado com consistência?
- Consegue prever variações antes que aconteçam?
- Quando há imprevistos, reage com velocidade e método, ou entra em modo de emergência?
Essa avaliação importa porque conecta aos desafios centrais de todo executivo, como eficiência operacional, produtividade e longevidade do negócio.
Níveis de maturidade em gestão organizacional
A maturidade em gestão se caracteriza por reprodutibilidade, previsibilidade e velocidade de reação. Uma empresa que não consegue prever seu resultado dificilmente consegue planejar investimentos com segurança, negociar prazos com fornecedores ou sustentar crescimento. O diagnóstico ajudará a identificar qual o nível atual da gestão e a jornada de evolução ideal para o momento da companhia.
Iniciante: os processos ainda são básicos, como definição de objetivos, indicadores, metas e estrutura organizacional. Os resultados são instáveis e o conhecimento está concentrado em indivíduos, não times. Falta padronização.
Estruturado: a empresa já tem alguma estruturação para reduzir a variação da performance e compartilhar um nível mínimo de conhecimento internamente. Ainda assim, mesmo com indicadores, o tempo de reação a desvios continua lento.
Padronizado: os processos são mais estáveis e sustentados por uma base sólida de conhecimento sobre a operação. Há desdobramento de metas, indicadores e planos de ação para os desvios. A empresa já consegue prever o resultado das próximas semanas.
Gerenciado: essa é a fase preditiva, em que a organização amplia o uso de tecnologia e consegue antecipar os desvios e simular cenários. Há investimento em pessoas e em uma cultura de melhoria contínua.
Excelência: caracteriza-se pelo uso avançado de conhecimento proprietário, potencializado por tecnologia, tornando-se uma fonte real de diferenciação e competitividade para a companhia.
Como avançar a maturidade em gestão em uma empresa
Uma organização precisa subir os degraus, um a um, até chegar à maturidade. Pular etapas ou investir em novas tecnologias sem uma padronização mínima não acelerará os resultados.
O primeiro degrau para crescer é estabilizar a operação. Quando padrões não existem, cada funcionário executa a mesma tarefa e qualquer ausência quebra o processo. Além disso, a equipe passa mais tempo “apagando incêndios”, refazendo relatórios, corrigindo erros e lidando com atrasos do que focando na estratégia ou em melhorias.
Antes de buscar grandes inovações ou novas tecnologias, a organização precisa garantir que o básico seja bem executado. Dois métodos podem ter grande utilidade, o SDCA (Padronizar, Executar, Verificar e Agir), para manter a rotina e garantir estabilidade, e o PDCA (Planejar, Executar, Verificar e Agir), para melhorar e tratar desvios.
Quando a maturidade sistêmica é alcançada, as áreas deixam de atuar em silos e passam a operar em sintonia. As metas são claras para todos, cada pessoa sabe o que precisa entregar, os números são confiáveis para sustentar a tomada de decisão e as conversas ganham profundidade.
Assim como um grande restaurante precisa de cozinha organizada, pessoas treinadas e ingredientes frescos para manter ou superar seu padrão de qualidade, uma empresa precisa dominar o básico da gestão para sustentar sua operação. No mundo corporativo, maturidade é garantir que o trabalho do dia a dia, de forma coordenada, se traduza em resultados tangíveis e sustentáveis.
*Vinicius Brum é vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Saúde e Farma, Educação e Setor Público