Publicado no Diário do Comércio, o vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Indústria de Base e Bens de Capital, André Chaves, analisa o cenário atual do mercado de celulose após os novos reajustes de preços anunciados por empresas como Suzano e Arauco.
Segundo o especialista, há sinais positivos para o setor, impulsionados pelo reequilíbrio do mercado de fibra curta, redução dos estoques globais e retomada das compras por fabricantes chineses. No entanto, ainda existem fatores que recomendam cautela, como a rentabilidade pressionada da indústria de papel e a expansão da capacidade produtiva na China.
Os números do setor mostram um contraste entre crescimento de produção e exportações e a dificuldade de recuperação das receitas, impactadas pelos preços mais baixos observados nos últimos períodos. A expectativa é que a melhora recente das cotações tenha reflexos mais claros nos resultados ao longo dos próximos meses.
André Chaves destaca ainda que o setor mantém um forte ritmo de investimentos, com projetos de expansão, modernização e logística previstos até 2028. Nesse contexto, ele alerta que as empresas devem evitar decisões baseadas apenas no momento favorável dos preços.
Para aproveitar a atual janela de oportunidades, o executivo recomenda três frentes principais: revisar a viabilidade dos projetos com premissas conservadoras, focar em eficiência operacional e controle de custos e conduzir os investimentos com disciplina, metas claras de retorno e rigor na gestão do CAPEX. Para o especialista, a rentabilidade sustentável dependerá mais da qualidade da execução do que dos reajustes de preços anunciados.
