Publicado na revista O Papel, o artigo do sócio e diretor de Papel e Celulose da Falconi, Caio Davanzo, analisa como a valorização dos preços internacionais da celulose nem sempre se traduz em melhores resultados financeiros para as empresas do setor. Segundo o especialista, fatores como câmbio, custos de produção e despesas logísticas podem reduzir significativamente os ganhos obtidos com a alta da commodity.
O texto destaca que muitas organizações ainda concentram sua atenção no comportamento dos preços internacionais, deixando em segundo plano variáveis que podem ser gerenciadas internamente. Em um cenário marcado por volatilidade cambial e aumento dos custos operacionais, a proteção das margens depende cada vez mais da disciplina na gestão de custos e da eficiência operacional.
Entre as principais alavancas para preservar a rentabilidade estão o controle rigoroso do custo caixa por tonelada produzida, a adoção de estratégias de proteção cambial (hedge), o direcionamento para produtos e clientes de maior valor agregado e o acompanhamento frequente dos indicadores de desempenho. Essas medidas permitem respostas mais rápidas às oscilações do mercado.
O especialista também ressalta o papel da liderança na construção de uma gestão resiliente. Para ele, a proteção das margens deve ser tratada como um processo contínuo, com indicadores claros, responsáveis definidos e acompanhamento regular. Em um setor exposto simultaneamente às variações de preço, câmbio e logística global, a diferença competitiva está na capacidade de transformar disciplina operacional em resultado sustentável.
Principais pontos
- A alta do preço da celulose não garante, por si só, melhores resultados financeiros.
- Câmbio, logística e custos de produção podem reduzir o impacto positivo da valorização da commodity.
- A gestão de custos deve receber a mesma atenção dedicada ao acompanhamento dos preços de mercado.
- Políticas de hedge ajudam a reduzir os riscos associados à volatilidade cambial.
- O mix de produtos e clientes pode contribuir para margens mais resilientes.
- O monitoramento frequente dos indicadores permite correções rápidas e melhor tomada de decisão.
- Liderança e disciplina de gestão são fatores essenciais para proteger a rentabilidade no longo prazo.
