jul . 2026 .

Transformação estrutural da indústria brasileira diante das tarifas internacionais

Setor estima impacto de US$ 11 bilhões em exportações; VP da Falconi aponta necessidade de transformação estrutural

Transformação estrutural da indústria brasileira diante das tarifas internacionais



Após negociações, o governo dos Estados Unidos decidiu implementar tarifas adicionais de 25% e 12% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos a partir de 23 de julho. Apesar de haver uma lista de exceções, a medida afetará bens industriais, máquinas, equipamentos, produtos químicos e diversos segmentos de manufatura. Agora, esses setores precisarão redefinir estratégias comerciais e operacionais para manter competitividade. 

O impacto é significativo. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a sobretaxa atingirá 26,2% das exportações brasileiras destinadas aos EUA, equivalente a aproximadamente US$ 11 bilhões em vendas. 

Para o vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Indústria de Base e Bens de Capital, André Chaves, além do impacto financeiro, a situação também evidencia fragilidades estruturais que as empresas brasileiras enfrentavam, mas negligenciavam. “A falta de diversificação de mercados e a ausência de gestão eficiente nos negócios foram grandes exposições que esse choque tarifário revelou“, aponta. 

Segundo o executivo, em momentos como esse, a primeira ação que as empresas devem tomar, é diversificar geograficamente. “As empresas precisam direcionar parte da produção ao mercado interno e buscar novos destinos. Apoiar avanços em acordos comerciais, como o da União Europeia, reduz dependência do mercado norte-americano“, pontua Chaves. 

Essa estratégia envolve não apenas explorar novos clientes internacionais, mas também fortalecer a demanda doméstica. O mercado interno brasileiro oferece oportunidades em setores de infraestrutura, energia e manufatura que demandam constantemente máquinas e equipamentos. 

A segunda ação é transformar a operação interna das empresas. Reduzir custos operacionais permite às organizações absorver parte do impacto tarifário sem repassar integralmente o aumento ao cliente. Automatização, otimização de processos e melhor aproveitamento de recursos são caminhos viáveis. 

A eficiência interna torna-se fator de sobrevivência. “Além de diversificar, as lideranças e seus times precisam buscar apoio em novas ferramentas para garantir bons resultados de forma sustentável. Investimento em gestão, tecnologia e capacitação eleva a produtividade e reduz custos. Essas melhorias na performance dos negócios darão fôlego para sobreviver e virar o jogo“, argumenta Chaves. 

A terceira ação é fortalecer a coordenação entre empresas. A coordenação setorial permite compartilhar informações sobre novos mercados, tecnologias de redução de custo e estratégias de adaptação. Associações industriais ganham importância neste momento. 

Coordenar a atuação entre empresas do mesmo segmento com fornecedores é vital para criar poder de negociação e compartilhar riscos“, aponta Chaves. 

O executivo explica ainda que linhas de crédito e medidas de apoio governamental funcionam como amortecedor, não como solução. A transformação real deve depender de decisões que empresas tomem hoje sobre onde vender, como produzir e com quem colaborar.  

A realidade aponta para a necessidade de transformação estrutural. Empresas que conseguirem implementar simultaneamente abertura de novos mercados, melhoria operacional e trabalho coordenado com pares terão melhor posição para resistir aos próximos meses”, finaliza Chaves. 

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