jul . 2026 .

A real vantagem competitiva da inteligência artificial nas empresas

Escolher o modelo mais poderoso de IA deixou de ser o diferencial das organizações. Agora, é como a tecnologia se integra à operação

Breno Barros*

A real vantagem competitiva da inteligência artificial nas empresas



Uma parte importante do mercado ainda trata como vantagem competitiva a inteligência artificial (IA) por si só. Empresas anunciam o uso de modelos avançados, agentes inteligentes e copilotos como se o simples acesso à tecnologia fosse suficiente para colocá-las à frente da concorrência.  

Mas a história da gestão mostra que diferenciais competitivos sustentáveis raramente surgem de tecnologias amplamente disponíveis. Quando todos podem comprar a mesma ferramenta, ela rapidamente deixa de diferenciar. Passa a ser apenas o novo padrão de operação. 

Foi exatamente isso que aconteceu com eletricidade, computadores pessoais, internet, cloud e smartphones. Em diferentes momentos, essas tecnologias pareciam capazes de criar vencedores automáticos. No entanto, à medida que se disseminaram, tornaram-se infraestrutura.  

O diferencial deixou de estar na tecnologia em si e passou para a forma como cada organização redesenhou seus processos, desenvolveu competências e construiu modelos de negócio ao redor dela. A tecnologia nivelou o ponto de partida, mas não definiu quem lideraria o mercado. 

A real vantagem competitiva da inteligência artificial não é o acesso 

Vejo sinais de que a IA seguirá um caminho semelhante. ChatGPT, Gemini, Claude e outros modelos estão se tornando cada vez mais acessíveis.  

A diferença entre empresas não será determinada por quem possui acesso ao modelo mais poderoso, mas por quem consegue integrá-lo de forma consistente aos processos, à governança, às decisões e à geração de valor. Em outras palavras, a vantagem competitiva migra da tecnologia para a capacidade de transformação organizacional. 

Esse movimento ajuda a explicar por que tantas organizações ainda não conseguem capturar retornos expressivos com IA. Muitas estão investindo na camada mais fácil da transformação: distribuir licenças, incentivar o uso e medir produtividade individual.  

Poucas estão enfrentando a parte realmente difícil: revisar processos, redefinir responsabilidades, criar mecanismos de governança e estabelecer formas de medir impacto econômico. A tecnologia evolui rapidamente. As organizações, por definição, mudam em outro ritmo. 

Avaliar a maturidade da IA na empresa é parte fundamental 

Isso também muda a forma como devemos avaliar maturidade em IA. Não faz muito sentido perguntar quantos agentes uma empresa possui, quantos milhões de tokens consome ou qual modelo utiliza. Essas métricas podem indicar intensidade de uso, mas dizem pouco sobre criação de valor.  

Para identificar se a inteligência artificial realmente gera valor nas empresas, talvez as perguntas mais relevantes sejam outras:  

  • A empresa tomou decisões melhores?  
  • Conseguiu reduzir riscos?  
  • Aumentou sua capacidade de inovação?  
  • Melhorou a experiência dos clientes?  
  • Conseguiu gerar resultados que seus concorrentes terão dificuldade de replicar? 

A IA provavelmente transformará diversos setores da economia. Mas, se a história servir de referência, essa transformação não ocorrerá porque algumas empresas têm acesso à tecnologia e outras não.  

A real vantagem competitiva da IA ocorrerá porque algumas organizações aprenderão a utilizá-la para reinventar a forma como competem, enquanto outras apenas farão mais rápido aquilo que já faziam antes. E essa talvez seja a diferença entre adotar IA e construir um diferencial de longo prazo. 

*Breno Barros é vice-presidente de Soluções Digitais e CTO da Falconi 

Também pode te interessar

Mais Vistos