Julho chega com um peso especial para todo gestor. O primeiro semestre já passou, os números estão fechados e, para muitas organizações, é o momento da verdade: conseguiremos entregar o que foi prometido até dezembro?
Simplesmente seguir em frente, sem uma análise criteriosa do que passou, coloca a organização numa posição reativa, apenas respondendo aos problemas quando eles já se tornaram realidade. A revisão de metas no meio do ano representa uma oportunidade estratégica para realinhar esforços, corrigir desvios e garantir que os próximos seis meses sejam, de fato, mais efetivos que o primeiro semestre.
Como revisar a estratégia para o segundo semestre
O primeiro passo é fazer uma leitura precisa da realidade. Isso significa comparar, com rigor, o orçado com o realizado em receita, custos operacionais e indicadores de produtividade. Essa comparação não pode ficar apenas nos números agregados. É preciso descer aos detalhes, entendendo quais unidades de negócio, quais produtos ou quais linhas de processo estão gerando desvios significativos.
Com essa leitura feita, vem o segundo movimento: identificar as causas-raiz dos desvios. A tendência é culpar o mercado ou a concorrência pelos resultados abaixo do esperado. Mas a realidade é que desvios podem ter origem em fatores muito diversos, como mudanças no comportamento do mercado que ninguém previu, gargalos operacionais que emperraram a produção, ou simplesmente execução inadequada das ações planejadas.
Cada tipo de desvio requer uma resposta diferente. Se o problema é de mercado, talvez não se consiga recuperar aquele resultado, e será melhor revisar a meta. Se é operacional, há espaço para correção rápida.
O terceiro movimento é ajustar prioridades. Raramente uma organização consegue realizar bem tudo ao mesmo tempo. Com o conhecimento de quais ações realmente movem os indicadores e quais esbarram em limitações operacionais ou de mercado, é possível concentrar os recursos nos projetos que trazem maior impacto.
Transformar complexidade em clareza
Transformar a rotina complexa em execução tem desafios, mas é viável com metas claras, indicadores que retratam a realidade e disciplina de rotina para atacar causa, não sintomas. Aqui, abro um parêntese para aprendizados de 15 anos de consultoria que levo comigo e se encaixam nesse cenário:
- Resultado é consequência de processo bem gerido, não de esforço heroico.
- Dados são fatos. Opiniões não são fatos.
- Rotina não é burocracia; é proteção contra variabilidade, e variabilidade é o inimigo silencioso do custo, da qualidade e da segurança.
Por isso, com a ação certa agora, muitas metas podem ser recuperadas. Isso significa eliminar inércia onde ela existe, mas sendo realista sobre o que o mercado ou a operação permitem. A diferença entre uma meta atingível e uma ilusória está justamente nessa clareza que você alcança em julho.
Para estruturar essa análise, uma sequência de verificações é útil. Comece pelos indicadores de receita e resultado, sempre comparando contra projeções. Mova-se para custos operacionais, verificando se há desperdícios que podem ser rapidamente eliminados. Analise a produtividade, que frequentemente carrega sinais dos gargalos reais. Revise os cronogramas dos principais projetos, verificando se o timing de conclusão e impacto ainda faz sentido. Por fim, reavalie o portfólio de iniciativas, ordenando-as por impacto esperado e viabilidade.
Há uma crença equivocada de que revisar uma meta é uma admissão de fraqueza ou erro de planejamento. Pelo contrário. Revisar metas é sinal de maturidade organizacional. Significa que você consegue ler a realidade e agir sobre ela, em vez de simplesmente obedecer a um plano antigo. Significa que você está no comando, não apenas cumprindo.
O PDCA (Planejar, Executar, Verificar e Agir) não termina com o “Agir” de um ciclo. Um novo ciclo começa imediatamente. Julho, nesse sentido, oferece um ponto natural de reflexão para que o próximo seja mais preciso e mais efetivo.
*Caio Davanzo é sócio e diretor de Papel e Celulose da Falconi.