O setor brasileiro de celulose e papel encerrou 2025 com crescimento robusto: a produção de celulose atingiu 29,4 milhões de toneladas (alta de 6,9%), consolidando a liderança global em exportações. No entanto, esse desempenho convive com ciclos de preços em baixa, pressionados pela expansão da capacidade global e pelo posicionamento integrado chinês. Para o VP da Falconi especializada em Indústria de Base e Bens de Capital, André Chaves, a vantagem florestal brasileira, apesar de estruturante, não sustenta margem por si só. A competitividade tornou-se sistêmica.
O novo desafio exige reposicionar a métrica de sucesso, não mais o custo de produção na planta, mas o custo por tonelada entregue, o que integra logística, fornecedores locais, disponibilidade energética, manutenção preventiva e digitalização. Isso significa que desenvolver parceiros próximos, investir em CAPEX com impacto direto no escoamento, executar com rigor e estruturar programas de desenvolvimento de fornecedores deixam de ser complementares e passam a ser estratégicos.
Enquanto o equilíbrio entre demanda e expansão de capacidade permanece incerto, o que está sob controle é a eficiência, e essa é a diferença entre sobreviver e prosperar no próximo ciclo.
Principais insights
- A vantagem florestal brasileira é diferencial estrutural, mas não é mais suficiente isoladamente para garantir margem competitiva.
- A métrica de sucesso evoluiu: o foco deve migrar de custo de produção para custo por tonelada entregue.
- Competitividade é sistêmica: logística, fornecedores qualificados, energia, manutenção de ativos e digitalização são pilares indivisíveis.
- Desenvolver uma base local de fornecedores com qualificação clara reduz riscos regionais e cria resiliência operacional.
- Investimento em CAPEX deve priorizar impacto direto no custo de transporte e na previsibilidade do escoamento.
- Disciplina na gestão, produtividade florestal e rigor na execução são diferenciais controlados pelas organizações, independente do ciclo de preços.
- O próximo ciclo recompensará ativos integrados, com escala e base florestal competitiva, que operarem com excelência sistêmica.
